VI Dia Mundial dos Avós e dos Idosos

“Eu nunca te esquecerei” (Is 49,15)

 

Foi publicada hoje a Mensagem do Papa Leão XIV por ocasião do Dia Mundial dos Avós e dos Idosos, cuja sexta edição será celebrada no domingo, 26 de julho de 2026. 

No entanto, caso as necessidades pastorais específicas o sugiram, as conferências episcopais têm a faculdade de alterar a celebração para uma data diferente. 

o Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida disponibiliza um kit pastoral para apoiar as dioceses, as paróquias, as congregações e as associações de todo o mundo na celebração da efeméride. O material – que contém a Mensagem do Santo Padre, a oração oficial, as orientações pastorais, um auxílio litúrgico e o logótipo do Dia – oferece instrumentos e sugestões práticas para pôr em prática o desejo expresso pelo Papa na Mensagem.

 

Dia Mundial dos Avós e dos Idosos
Está também disponível o kit com as orientações pastorais para a celebração

  Ninguém é esquecido por Deus. Foi publicada hoje a Mensagem do Papa Leão XIV por ocasião do Dia Mundial dos Avós e dos Idosos, cuja sexta edição será celebrada no domingo, 26 de julho de ...

 

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MENSAGEM DE SUA SANTIDADE LEÃO XIV
PARA O VI DIA MUNDIAL DOS AVÓS E DOS IDOSOS

[26 de julho de 2026]

[Multimídia]

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Eu nunca te esquecerei (Is 49, 15)

Queridos irmãos e irmãs,

Pela boca do profeta Isaías, o Senhor promete que nunca se esquecerá de nenhum de nós. Assegura-nos que traz os nossos rostos gravados nas palmas das mãos (cf. Is 49, 16) e que o seu amor é maior do que o de uma mãe pelo seu filho (cf. Is 49, 15). O profeta permite-nos vislumbrar um diálogo íntimo e intenso, no qual Deus se dirige a cada um e ao próprio povo, tratando todos por “tu”. Também hoje podemos ler referidas a nós estas palavras, e cada um pode ouvir aquele “nunca te esquecerei” dirigido a si mesmo.

Trata-se de palavras que enchem de consolação e confiança. São a resposta a um sentimento angustiante que agita o coração: «O Senhor abandonou-me, o meu dono esqueceu-se de mim» (Is 49, 14). Quantas vezes, na Sagrada Escritura, em particular nos Salmos, a oração nasce do desamparo de quem tem a impressão de que a sua vida não interessa a ninguém e é negligenciada! A dolorosa sensação de ser esquecido é, infelizmente, comum a muitas pessoas e, entre elas, não poucas são idosas.

O amor de Deus, que, pelo contrário, não esquece ninguém, oferece-se como um ato de justiça e uma resposta ao anonimato, no qual, com demasiada frequência, a vida humana acaba por perder-se. Sobre a existência de muitos idosos, em particular, parece estender-se um véu que esbate as feições dos rostos e relega ao esquecimento. É o que acontece nas casas onde reina a solidão, e também naqueles asilos onde a singularidade de cada pessoa corre o risco de ser reduzida ao número da sua cama ou à sua patologia.

A celebração do Dia Mundial dos Avós e dos Idosos é uma oportunidade para redescobrir que a Igreja é chamada a ser mãe de todos e que é sempre possível, em qualquer idade, descobrir-se filhos e filhas de Deus. Que este Dia seja, portanto, um estímulo para todos, em particular os mais jovens, retomarem o bom hábito de visitar os seus avós, os idosos da família e também aqueles que não recebem nenhuma visita. Levai-lhes, com esta mensagem e com a vossa presença, a proximidade e o carinho do Papa. Fazei com que as palavras do profeta “Eu nunca te esquecerei” assumam a forma de um encontro terno e afetuoso. «Numa época que tende a acelerar e a fragmentar, a carne humana continua a pedir para ser cuidada e reconhecida por mãos capazes de ternura, por mentes atentas e por palavras bondosas. A cultura digital multiplica as conexões e oferece novas possibilidades de encontro; no entanto, o coração humano conserva uma necessidade inalienável de proximidade» (Carta enc. Magnifica humanitas, 239).

A Igreja conhece o sofrimento dos seus filhos mais idosos, sabe bem que demasiadas vezes se olha para eles com preconceitos e são considerados um fardo; está ciente de que uma economia centrada no lucro enfraquece os laços familiares; sabe que muitos idosos são abandonados pelos filhos, obrigados a migrar ou, nalguns casos, a combater na guerra. Por cada uma destas razões, alegra-se em anunciar a promessa do Senhor: “Eu nunca te esquecerei!”.

Em qualquer idade da vida, mas especialmente quando já não somos jovens, é gratificante descobrir, como disse o Beato João Paulo I, que somos destinatários «da parte de Deus, dum amor que não se apaga. Sabemos que tem os olhos sempre abertos para nos ver, mesmo quando parece que é de noite. Ele é papá; mais ainda, é mãe» (Angelus, 10 de setembro de 1978). Embora não seja espontâneo pensar assim, a verdade é que, mesmo na velhice, não deixamos de ser filhos e filhas, e por isso permanece válido, todos os dias, o convite a regressar aos braços de Deus, cujo amor é paternal e maternal ao mesmo tempo.

Para muitos, a descoberta da ternura de Deus, no decorrer da vida, acontece precisamente na sua última etapa. Cada vez mais, na realidade, ao contrário do que acontecia no passado, é possível chegar à velhice sem ter tido uma verdadeira experiência de fé. Neste caso, a idade avançada, a partir das questões que nesta fase da vida se colocam com maior premência, pode tornar-se o momento oportuno para iniciar ou retomar a vida espiritual. Neste novo caminho, pode-se reconhecer que Deus, como diz Santo Agostinho, «é mãe porque aquece, porque alimenta, porque amamenta, porque protege» (Comentário ao Salmo 26, II, 18). É uma consciência que ajuda a não sentir vergonha da fragilidade que vai surgindo e também a compreender que todos precisamos, sempre, uns dos outros e somos mendigos de atenção e cuidado. A Deus, que se faz próximo e que aprendemos a reconhecer na sua ternura, podemos então dirigir-nos com confiança filial na oração. Nunca é tarde demais para a Ele nos começarmos a dirigir. Pode ser um grande dom para todos.

Queridos idosos e idosas, o Papa Francisco referiu-se a vós como um “novo povo” (Catequese, 23 de fevereiro de 2022), uma vez que o número de pessoas de idade avançada nunca foi tão elevado na história da humanidade. Portanto, é importante mais do que nunca refletir convosco, “novo povo”, sobre qual poderá ser a nossa vocação quando a fragilidade, companheira do homem desde o nascimento, parece prevalecer. Sinto-me no dever de vos dizer: não tenhais medo da fragilidade! É justamente esta fraqueza que esconde em si uma nova potencialidade que ilumina também as outras idades da vida. Efetivamente, quando é aceite e reconhecida, a fragilidade «abre o coração ao apoio mútuo e à invocação d’Aquele que pode dar o que nenhum poder humano é capaz de garantir: a reconciliação profunda dos corações e, com ela, a verdadeira paz» (Encontro com a comunidade argelina, Basílica de Nossa Senhora de África, Argel, 13 de abril de 2026).

É assim que podemos viver, como cristãos, o tempo da velhice: “frágeis” e, simultaneamente, “chamados”. Na verdade, um homem e uma mulher podem renascer na velhice (cf. Jo 3, 4-6) e reconhecer, com o profeta: «A vossa salvação está na conversão e em terdes calma; a vossa força está em terdes confiança» (Is 30, 15). Uma força que, para garantir a convivência humana, pode tornar-se convite a não recorrer aos caminhos da arrogância e do poder, mas aos caminhos da reconciliação e da verdadeira paz. Neste tempo, marcado de forma tão dura pela violência bélica e social, muitos questionam-se sobre como será o mundo em que crescerão os próprios netos. Exorto-vos, caríssimos, para que vos unais comigo numa incessante oração para que a paz chegue em breve a todo o mundo.

Irmãs e irmãos idosos, agradeço-vos por me apoiardes todos os dias com as vossas orações, especialmente quando recitais o terço. Retribuo-o de coração, deixando-vos este desejo: que o Senhor nos renove sempre na fé, na esperança e na caridade, Ele que nunca se esquece de nós!

Vaticano, 15 de junho de 2026

LEÃO PP. XIV

 

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Oração para o VI Dia Mundial dos Avós e dos Idosos

 

Santo Pai

Que protege todos os homens

Protegei-me também quando eu for idoso.

Vós me fizestes conhecer, em Cristo, o Vosso Nome

Vós não ficastes escandalizado com as minhas fragilidades.

Protegei-me em Vossas mãos,

Acariciai as minhas rugas.

Vós não me esquecereis jamais! (cf. Is 49,15).

 

Fazei-me não ter medo da minha fraqueza

Fazei-me saber amá-la

Como Vós a amais.

Fazei-me saber ouvi-la

Como Vós a escutais.

Fazei-me escolhê-la

Como Vós a escolhestes,

Vós, que sendo poderoso, se vestiram de humildade.

 

Fazei que ser idosos nos despoje de toda presunção

e de todas as divisões

Para viver esses anos

unidos em Vós

que não me esquecereis jamais! (cf. Is 49,15)

Amém.

 

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